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O Romance da Heráldica   

“Nossos antepassados cultuavam os ancestrais e acreditavam que o que faziam em vida, ecoava na eternidade.” 

A heráldica em seu amplo significado tinha a ver com as funções de um arauto, cujo dever era anunciar torneios, carregar mensagens de um solar para outro e registrar as várias insígnias portadas pelos indivíduos. A heráldica surgiu quase que espontaneamente no século XII, coincidindo com o desenvolvimento das armaduras por volta da época das cruzadas. Em batalha, um cavaleiro revestido em armadura da cabeça aos pés poderia somente reconhecer o amigo do inimigo. Quando a face do guerreiro tornava-se invisível atrás dos elmos fechados, um novo método de reconhecimento imediato tornou-se necessário. Mudanças nos métodos de guerra também demandavam reconhecimento imediato. Isso resultou numa distinta insígnia sendo pintada em seu escudo e bordada em seu casaco, que eram os únicos meios do guerreiro ser identificado. Em geral, aceita-se que essas inovações sejam levadas aos primórdios da heráldica.

A insígnia assim adaptada, logo se tornou um invejável e protegido objeto de orgulho. Um filho poderia herdar de seu pai símbolos e carregá-los para uma batalha com orgulho. Após uma batalha ou campanha, o cavaleiro poderia retornar para seu castelo e o vassalo para seu modesto lar e cada um penduraria seu escudo ou elmo na parede. O elmo ficava posicionado acima do escudo. Os pertences daqueles que tinham morrido em batalha eram trazidos de volta por um amigo, e a cena era repetida em todas as humildes casas e magníficas residências. A heráldica, como nós conhecemos hoje, veio para ficar.

* A História da Heráldica 

Os coloridos torneios medievais, que eram mantidos para o entretenimento e para dar prática no uso da lança, forneceram grande estímulo para o desenvolvimento da heráldica. Um marechal e um oficial supervisionavam as decorações da armaria nesses torneios e nisto encontramos as origens da Academia de Armas. Isto também resultou na heráldica se tornar uma arte organizada e científica. O declínio destes torneios no século XVI e mudanças nos métodos de arte de guerra, entretanto, não levaram a um declínio na importância da heráldica. As armas eram ostentadas nos lacres e isso era proveitoso porque muitos da nobilidade eram iletrados. Armas em pedra e em vidros pintados, prata e qualquer outro local forneciam incontáveis indícios para historiadores em datar e identificar construções e objetos.Como a heráldica floresceu e tornou-se regulamentada, era necessário ter uma linguagem por meio da qual um arauto pudesse meticulosamente descrever as armas e que suas descrições fossem entendidas por outros arautos. A linguagem usada foi a normando-francesa. A heráldica, por essa razão, é a primeira de todo um sistema de artefato pessoal (ou seja, símbolos no escudo) pertinentes a um indivíduo e continuando, com certas restrições, para seus descendentes. É, portanto, uma distinção hereditária. É também uma arte! 

* A Linguagem Heráldica 

A heráldica tem um vocabulário especial. Este vocabulário foi desenvolvido pelos primeiros arautos e sua precisa formação consegue uma brevidade pela qual uma simples palavra poderia indicar a posição, postura e atitude de uma carga. Se alguém fosse descrever sua carga em termos comuns, a descrição poderia resultar em várias sentenças. Na terminologia heráldica, a descrição por escrito de uma armaria  é um brasão. O conhecimento de simples regras que regiam o brasão de armas é importante para um entendimento das armas descritas. Em muitos casos a primeira palavra mencionada é o campo ou a cor do escudo. A próxima importância é a principal divisão do escudo, seguida pela principal carga na descrição. Logo depois, os elementos restantes seguem em ordem: do chefe para a base e da direita para a esquerda. Em todos os casos, a cor da carga segue a descrição da mesma. Por exemplo: um leão rampante de gules significa que o leão é a carga, rampante indica a posição do leão, gules ou vermelho dizem-nos a cor do leão.As cores nunca são repetidas em um brasão. Por esta razão, termos tais como “da primeira (o)” ou “da última (o)” referem-se à primeira ou última cor ou esmalte mencionados na descrição. Quando duas ou mais cargas da mesma cor ocorrem, a cor não é mencionada até o fim da descrição relativa aquela cor. Ex: um leão rampante entre duas rosas de gules.   

    

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